Indústria ceramista cresce 7% em 2008
VoltarA indústria ceramista brasileira fecha 2008 com 7% de crescimento. Apesar dos muitos entraves, como a crise do mercado imobiliário norte-americano (maior importador mundial de cerâmicas), a competição chinesa e as incertezas em relação à oferta de gás, matriz energética usada predominantemente, o setor mantém o ritmo, crescendo, em média, 5% ao ano, com destaque para 2007, quando cresceu 10%.
Nos últimos anos, as empresas ceramistas passaram por rápido processo de modernização, adaptando-se às exigências do mercado internacional. Hoje, cerca de 130 países importam a cerâmica do Brasil, com destaque para os Estados Unidos, Argentina e Chile, os três maiores importadores da produção nacional. Contudo, grande parte das empresas ceramistas no Brasil é de micro e pequeno porte, de organização familiar e com recursos limitados para atingir níveis de competitividade mundial.
No Nordeste, as dificuldades são ainda mais elevadas devido ao insuficiente abastecimento de gás. A fonte de energia dos fornos é responsável por cerca de 30% do custo final das cerâmicas. Muitas empresas do ramo ainda trabalham usando madeira de extração para a alimentar os fornos, produzindo, quase exclusivamente, cerâmicas vermelhas empregadas na construção civil (tijolos, blocos, telhas, elementos vazados, lajes, tubos cerâmicos e argilas expandidas) e utensílios de uso doméstico e de adorno.
Mas a indústria ceramista cearense encontrou outra opção energética de menor custo e mais acessível à realidade local, além de aprovado pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis): a madeira da poda de cajueiros, material abundante no estado. Além disso, algumas empresas têm investido em máquinas para facilitar a extração e o transporte de matéria-prima. É o caso da Cerâmica Caucaia, que acaba de adquirir três máquinas CAT, duas pás carregadeiras 924H e uma escavadeira 315CL.
Segundo o diretor da empresa, Pedro Morais Rocha, as aquisições trarão mais rapidez e economia. “A Cerâmica Caucaia tem como meta a renovação das máquinas a cada cinco anos e a contratação do serviço de manutenção preventiva. Dessa forma, deveremos aumentar ainda mais os laços com a Marcosa, pois a representante tem nos atendido com excelência na aquisição de novas máquinas”, afirma Rocha.
Devido à crise econômica, os especialistas prevêem um recuo nas exportações em 2009. Mas isso não deverá impor um freio ao segmento, que está otimista com o consumo nacional. O Brasil é hoje o segundo maior consumidor deste tipo de produto, ficando atrás apenas da China.
De acordo com o diretor da Cerâmica Caucaia, as expectativas para o mercado em 2009 são positivas. “O cenário atual do mercado ceramista está aquecido. As perspectivas do mercado para 2009 são boas; apesar do crédito mais caro, o setor continuará crescendo em 2009. A expectativa é que haja um crescimento menor do que em 2008, mas certamente continuará evoluindo. Será um ano de algumas dificuldades no inicio e, de meados para o fim, superações, conquistas e sucesso”, avalia.
Cerâmica Caucaia
Fundada em 1993, a Cerâmica Caucaia está instalada na Fazenda Açude Novo, em Sítios Novos, no município de Caucaia, região metropolitana de Fortaleza. Atualmente emprega 155 funcionários. A empresa é cliente da Marcosa há 10 anos, tendo em sua frota uma escavadeira 315C CL e quatro pás carregadeiras, sendo duas no modelo 924H, uma 950H e outra 966H.
Números do mercado ceramista
- Estima-se que o mercado mundial de cerâmica para revestimento gira em torno de 6 e 7 bilhões de metros quadrados anuais.
- O Brasil é o segundo maior mercado consumidor, atrás apenas da China.
- Em produção, é o terceiro maior, atrás de China e Espanha
- O Brasil responde por 14% das importações norte-americanas de revestimentos cerâmicos
- O Brasil é o quarto maior exportador após Itália, China e Espanha.
- No Brasil estima-se a existência de cerca de 200 empresas
- O setor é responsável por 25.000 empregos diretos e 250.000 na cadeia produtiva (mineração, colorifícios, máquinas e equipamentos, transportes, cerâmicas e assentadores)
Fontes: Associação Brasileira de Cerâmica (ABC) e Associação Nacional de Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (Anfacer)

